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quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O Blá-Blá-Blá de Heroes


Estréia domingo para os brasileiros a série de maior sucesso do momento, para os americanos. Heroes desbancou L.O.S.T. do primeiro lugar e promete aquecer o mercado da lataria-reciclável que virou a nossa querida e estimada televisão.
O roteiro de Heroes é tão encantadoramente piegas quanto surpreendentemente repetitivo, usa meia-dúzia de atores com o padrão "malhação" de qualidade e abusa de efeitos especiais de quinta categoria. Nada que uma mega divulgação mundial não possa resolver em alguns milhões de dólares. De quebra, a trilha sonora é também nem um pouco original (o vídeo acima é o trailer promocional dos últimos capítulos da temporada).
O que se poderia esperar dessa mistura desastrosa?
Sucesso! É claro.
"Mas se é tão ruim assim, por quê tanta gente assiste?"

Não pretendo agora entrar na discussão retórica de que sucesso não é sinônimo de qualidade, ou que os programas líderes de audiência quase sempre são pífios em valor cultural.
Nem menos irei pedir auxílio a Nelson Rodrigues, com a sua pontualidade: "Toda unanimidade é burra!" Diria ele.
Dessa vez, vou apelar à quimica de Lavoisier para buscar um tanto de luz nesse túnel do plágio batizado de Heroes. Porém, ao contrário do que ocorre na natureza, na televisão nada se cria ou se tranforma: tudo se copia.

Voltamos algum tempo, à Marvel, gigante dos quadrinhos, e seu X-Men.
Adolescentes típicos, daqueles vistos em qualquer cyber-café debatendo a filosofia do Msn, se descobrem detentores de poderes extra-humanos (Heroes copiou isso). Entre evitar catástrofes, salvar a humanidade e combater o mal (Heroes copiou isso), os heróis-mutantes da série convivem com conflitos existencialistas da profundeza de um pirex, com a intensidade de uma tempestade (Heroes copiou isso). Os X-Men's, além de seus oponentes, travam constantes combates internos, exaltando não somente seus super poderes, como também a fragilidade humana existente em cada um (Pasmem: Heroes também copiou isso!).

Engana quem considerar Heroes simplesmente uma cópia mal-sucedida de X-Men: é uma cópia mal-sucedida com bônus! Em que outro roteiro você poderia presenciar o seguinte diálogo: "-Quando eu salvei você, eu salvei o mundo?/ - Eu não sei, sou apenas uma líder de torcida". Seria cômico se não fosse uma ficção-científica-pré-adolescente.
"Mas se é tão ruim assim, por quê tanta gente assiste?"

Essa frase martela minha cabeça desde Harry Potter. Desde Lost. Desde Big Brother...
Chego, ao final desse túnel, sem respostas e me dobro diante da inquestionabilidade da dúvida: Se é tão ruim assim, por quê você assiste?
Deve ser por tédio.
Heroes, estréia da primeira temporada domingo, na Record.
Vai indo que eu não vou.



....



Tarantino diz não!


O diretor de "Kill Bill" e "Pulp Fiction" revelou que já foi chamado inúmeras vezes para dirigir um episódio da série dos heróis - e declinou todos os convites.

Em entrevista para o jornal britânico The Sun: "Eles tentaram fazer com que eu fizesse um episódio. Eu nunca vi a m**** da série. Que m**** é 'Heroes'?".

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Tapa na Cara da Hipocrisia Social

"Às vezes eu me pergunto: Quantas crianças precisam morrer para um playboy fumar um baseado?"

Essa conta ainda não foi feita. O bando de sociólogos pseudo-cults está muito mais ocupado em inflar o seu próprio ego do que encarar a realidade. Porém, o produto final dessa matemática macabra está por toda parte, escancarada em qualquer estatística que acostumamos a ignorar. O assunto parece clichê, piegas ou até mesmo hipócrita. O filme que relata isso não (uma das cenas mostrada no vídeo acima).

"Tropa de Elite", com direção e produção de José Padilhe, o mesmo do documentário Ônibus 174, apresenta à elite o policial do B.O.P.E., Capitão Nascimento, autor da frase que inicia esse texto e interpretado impecavelmente por Wágner Moura. Além da parte falida e corrupta da polícia militar carioca e o poder que o tráfico exerce na cidade - temas já abordados em outros filmes, como Cidade de Deus - a produção, prevista para entrar em cartaz ainda esse ano (mas que teve uma cópia divulgada clandestinamente na internet), inova e, ao mesmo tempo, choca uma sociedade hipócrita que, sarcasticamente, dá aval ao motor que sustenta a indústria do tráfico: Você, maconheiro. Você, que acha o maior barato fumar "unzinho" em suas rodinhas pseudo-anárquicas. Você, que se reúne a seus cúmplices para queimar a bandeira da opressão, da elite, ou da aversão ao sistema enquanto fuma o destino de milhares de crianças com dias limitados à bala de fuzil na cabeça. É você, seu maconheiro, que abastece o bolso de traficantes em troca de meia hora de "diversão". Eu tenho nojo disso. Eu tenho nojo de você.

Uma pessoa que usa drogas não tem o direito de reclamar do sistema. Não tem o direito de botar a culpa dos males da sociedade na violência, nem nos políticos. Uma pessoa que compra maconha e pó da mão de bandido, também é bandido. Mas, nesse mundo que sempre há de ter forças para nos surpreender, em mais uma de suas irônicas inversões de valores, o que vemos é uma adoração a esse tipo de gente, seja na mídia (adotando ícones como Marcelo D2 e seu Planet Hemp), nas ruas, nos morros e, para mim, a parte mais irônica dessa história: Nas Universidades.

O local que era para ser o centro da formação intelectual dos jovens, vira a casaca ao transformar-se em um culto à bestialidade. O cara descolado da turma é o que traz a droga. "O foda da faculdade, é que à primeira vista os estudantes são caras legais pra caralho. É um lugar cheio de mocinhas lindas e com boas intenções". O que vemos nos indignamentes denominados Centros de Ciências Humanas é o lixo cultural que contaminou os valores da sociedade. E esse esgoto da modinha em ser rebelde fede. E muito. Como Você, maconheiro, tem estômago para discutir consciência social e cultura depois de enrolar um baseado? Você não se sente parte do crime? Você não percebe que é usado e incentivado pelos traficantes midiáticos e marqueteiros a se transformar em uma mula? Se ainda lhe restou algum neurônio, maconheiro, pense.

...

Você e seus amigos se sentem bem à mesa de um bar. Trocando idéias e tomando cerveja, horas passam com um rapidez agradável. As histórias que ocorrem são hilárias e relembrar as tais com outros amigos, tomando outras cervejas, fazem você se sentir melhor ainda. Eu sei, eu também sou assim. Tomar umas com os amigos é demais. E, afinal de contas, se você souber se controlar, a cerveja nem faz tanto mal à saúde. Não exagerando na dose, evitando não beber antes de pegar o carro e com outros pequenos cuidados, você e seus amigos podem passar anos nessa bohemia saudável.

Agora, vamos viajar um pouco:

Imagine se surgissem reportagens denunciando uma cervejaria - tomemos como exemplo fictício a Skol - que usa, como trabalhadores, jovens e crianças de até 10 anos de idade. Nessa fábrica, os presidentes da empresa estão milionários, enquanto seus operários juvenis são arrancados de suas famílias, deixando mães aos prantos, e obrigados a trabalharem dia e noite em troca de trocados e pares de tênis importados.

A rotina é cruel, todos os empregados perderam a identidade, nunca pisaram na escola e só se comunicam por um dialeto exclusivo do ambiente. Quem passa na frente dessa cervejaria-fictícia para comprar sua cervejinha não enxerga seus bastidores. Porém, a reportagem é avassaladora. Escancara a violência que rege a organização. Em uma cena, obtida com uma câmera escondida também fictícia, pode-se ver algo chocante: um operário da Skol de 10 anos, ao derrubar por acidente uma garrafa que seria abastecida, é espancado pelos superiores. O sangue do menino se espalha entre a cerveja que escorre no chão. Seu colega, de idade semelhante, que não relatou o incidente ao chefe, sofre pena mais grave: tem sua cabeça estourada por uma espingarda calibre 12. Após alguns funcionários retirarem os dois pequenos corpos, já desfigurados, o trabalho recomeça na fábrica.

Diga com sinceridade: após essa reportagem fictícia, você se sentiria confortável para tomar uma Skol com seus amigos? Você iria achar legal o cara que leva umas latinhas da cerveja na mochila e distribui para os colegas da faculdade? Você não se sentiria culpado em ajudar a financiar tudo isso? Não iria lembrar da imagem com os dois garotos ensangüentados a cada gole de cerveja que tomasse?

Claro que isso é só ficção. Não tem nada a ver com a nossa realidade. É apenas um mundo imaginário que se parece com o nosso. Com problemas fictícios que se parecem com os nossos.

É impossível mudar o passado. Somos obrigados a conviver com o presente. Mas o futuro: esse a gente pode mudar.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

O Outono é sempre igual: a Sandy estraga no final



Ouça essa música. Porém, pause o ponto 1:20m do vídeo. Aqui está a exata fronteira entre o Cult e o Brega; entre o Indie e o Pop; o Orgulho e o Preconceito; a Melodia e a Gritaria; a Calma e o "Vamo Pulá"; Chico Buarque e Chitãozinho; Clarice Lispector e J.K. Rowling; Franjinha e Mullets; Barba e Espinhas. E sabe qual a diferença real entre esses mesmos 80 segundos cantados por Marcelo Camelo (no Acústico Mtv, em "Quatro Estações) e o restante, gritado por Sandy? Você, platéia. A música (e isso é que devia importar) é exatamente a mesma.

Se Los Hermanos ou qualquer outro projeto barbudo tivesse lançado esses mesmos 1 minuto e 20 segundos em algum disco que já sai da gravadora com o selo CULT pregado à capa, toda a breguice que atrai tomates à dupla sertanejo-pop-teen daria lugar a sorrisos blasés pré-fabricados de uma penca de fãs que não aprendeu senso crítico na escola, além de palmas de uma crítica preguiçosa, que acha mais fácil copiar opiniões do que pensar.
Camelo, ou a sua interpretação, impôs na música todo o arzinho superior temperado à velha bossa-nova que dá o tom de sua obra e despenteia suas viúvas. Contudo, Sandy, a Virgem, não deixa barato. Um grito estridente deixa bem claro que estamos em terreno estranho, bem estranho, esquartejando qualquer resquício de saudade que o fim da dupla poderia causar.

Musicalmente falando, a versão é sofrível. A "química" entre os dois simplesmente não existe. A impressão que dá é que são duas canções em uma só: a diferença entre uma interpretação e outra é gritante, literalmente. A primeira parte ficou com o jeitão Los Hermanos, apesar da música ser de Sandy: letras existencialistas e, por vezes, com temas bucólicos (vide "o vento" ou "primavera"), pieguices ("o calor aquece o meu coração") e esquisitisse ("felicidade, uma quimera/viver sonhando, quem me dera"). Elementos que não saem da receita de qualquer canção de amor. Seja ele - o amor - ao próximo, a si mesmo ou à grana que um acústico Mtv às vésperas da "aposentadoria" das duas bandas pode render. Só falta Sandy e Junior cantarem "O Último Romance" para tirarmos a prova real e sabermos se o saco do qual saem essas duas farinhas é o mesmo.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Compêndio do Besteirol Instantâneo ou Escrito das Pseudo-Dúvidas Retóricas

Sentados e bebendo no boteco, alguém diz: “então, vocês viram aquela parada sobre a CPMF, eu vi que...” eis que um grito desesperado cruza a mesa “Não! Pára! Eu tô no bar! Num vim aqui pra conversas inteligentes!”. E logo complementa com um ar tão sapiente que fede a Sócrates, “aqui é lugar pra falar besteira”. É! Depois desses argumentos como discutir? Sempre há como discutir. O que é considerada uma conversa inteligente? Seria um fato desconhecido pelos demais, pretenso acontecimento exigente de um neurônio ou dois para ser entendido? Seria algo que não um clássico de um minuto e vinte do YouTube? Ou talvez, pra variar, a falta de equiparação “intelectual”, também representada pelo nome “inteligência”? Quando digo isso eu estou fazendo menção não à inteligência cognitiva, aquela responsável pela capacidade de raciocinar, fazer abstrações etc., mas sim à impressora de sensações, de que algo acima de nós está sendo proferido, um momento que nos parece colossal, assustador, distante. O que eu classifico como inteligência aqui não está no patamar do absoluto, pois iremos encontrá-la confortável e acomodada na superfície do relativo. Não é a esperteza de outrem, e sim a falta da nossa, logo, uma inteligência hipotética, que, doravante, será a nossa companheira nesse texto. Destarte, eu pondero, se o bar não é lugar para conversas inteligentes, se é um recinto que preza pela incondicional e inexpressiva necessidade de respirar, então, eu me pergunto, onde encontro o dito lugar? Já que ele não é o boteco, onde fica? Eu tento de forma vã visualizar esse antro cultural. Estaria ele entre o horário do almoço e o cochilo, ou então na hora do trabalho? Na faculdade? – forcei agora, eu admito, talvez seja a ansiedade tomando conta de mim, o desespero de descobrir como alcançar o limbo das idéias, dar uma passada lá, um ambiente no qual as exposições das minhas opiniões medíocres possam ser feitas em paz, quem sabe até exista gente morando lá, e elas não superestimem minhas considerações, nem subestimem elas mesmas.

Contudo, num segundo pensamento, será que seria interessante visitar uma vizinhança assim? Começo a ver que o lucro seria pouco, para mim, e para Maria Rita, Arnaldo Antunes, Ney Matogrosso, até mesmo os Mutantes. O que seria deles se não fossem as rodas de botecos não pensantes? E as bandas universitárias? Um genocídio de fato. O que faríamos se não pudéssemos negar o vangloriado e apoiar o podre, de que forma eu poderia dizer que Clarice Lispector é um lixo, e abraçar com tapas nas costas e argumentos levianos, mas pernosticamente embasados, Paulo Coelho. Também pode-se acusá-lo, sem ter a mínima noção do porquê, essa é um pouco menos criativa, mas, nessa altura, criatividade é usar boina. Teria eu que deixar aquele meu óculos de armação preta grossa e quadrada na gaveta? E todos aqueles filmes que eu assisti com muito sacrifício, xingando cada minuto passado para no instante seguinte elogiar cada movimento de câmera, cada cena subjetiva, conferida a rigor no Google, pobre Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Agora, eu não estou aqui também pra tirar um peso das suas costas, leitor, seu coitado, que assistiu Cães de Aluguel e riu do começo ao fim pelos motivos errados, patético. Na verdade esses pseudos duelos intelectuais são quase em sua totalidade engraçados, não há como não deixar de, pelo menos, rir por dentro daqueles comentários totalmente fora de contexto, geralmente longos e pedantes, cujo propósito é manter uma posição vazia e extensa. Ah, o subjetivo! Ah, arte! O inútil pelo inútil. Conciliar o bom gosto ao novo e ao mesmo tempo mostrar-se popular parece difícil até “Encontros e Despedidas” na abertura da novela das oito. Behind Blue Eyes, duas versões no PC, uma na rua, The Who! Selecionar o trigo dentro do joio é uma tarefa árdua. Pegue agora um caderno, misture tudo o que eu escrevi, apostos e adjetivos extras a gosto, pitadas de Chaves e momentos nostálgicos anos 80, mais um pouco do seu riquíssimo conhecimento de mundo e vomite isso tudo pra cima de alguém depois da quarta cerveja, pronto, você agora tem a verdadeira conversa inteligente de boteco. Aprecie com moderação, por favor.

domingo, 19 de agosto de 2007

Chico Buarque Não Morreu


Passaram-se 30 anos da morte de Elvis Presley, no último dia 16. Após 2 bilhões de discos vendidos, o rei do rock e do rebolation transformou-se no artista com a maior geração de lucro pós-morte de toda história do show business. O fenômeno do "mito" após o sepultamento de algum artista não é exclusivo a Elvis. Os Beatles, The Doors, Queen e, mais recentemente, Nirvana também deixaram no plano terrestre cifras milionárias de rendimentos de suas obras, canonizadas por fãs saudosos ou, até mesmo, que só chegam a conhecer os artistas após o fim de suas carreiras.
No Brasil, a história se repete: Raul Seixas ainda é lembrado em cada pedido de bar, Cazuza e Renato Russo, o primeiro emo do país, continuam vendendo muito, mesmo depois de suas mortes. Assim também é a regra na MPB, Chico Buarque de Holanda é sempre apontado por críticos metidos e artistas bestas como um dos melhores cantores da atualidade, mesmo após sua morte. Mas, esperem aí: Chico não morreu! Não mesmo. O sexagenário carioca ainda desfila nas passarelas cults de Copacabana com a mesma imponência de seu auge tropicalista, porém, se Chico tivesse morrido no início da década de 80, sua obra musical (exclusivamente) não sofreria nenhuma interferência.
A contribuição musical factível do cantor morreu há 20 anos, mas seu fantasma ainda paira no imaginário da crítica brasileira.
É tarefa fácil a qualquer apreciador de boa música lembrar de uma penca de hits que marcaram época, obras do artista carioca. Sob uma rápida consulta à memória (leia-se Google), cito aqui alguns de seus maiores sucessos, assim como a data de seu lançamento original:
"A Banda", lançada no festival da record de 1966; "Roda Viva", de 1968; "Construção", "Cotidiano" e "Valsinha", de 1971; "O que será" e "Mulheres de Atenas", de 1976; as trilhas sonoras "Saltimbancos", 1977, e "Ópera do Malandro, 1979; "Cálice" e "Apesar de Você", de 1978. Aqui jaz um cantor. E nasce o mito.
Ná década de 80, Chico reconhecidamente entrou numa espécia de depressão pós ditadura. A ausência da censura, responsável por exigir do compositor uma habilidade lingüística extra, parece ter feito com que Chico acomodasse e se tornasse uma espécie de primeiro músico da história com aposentadoria garantida: a criatividade da produção parou, mas os rendimentos ainda chegam no final do mês, acompanhados dos louros de um suceso virtual. O músico Chico, de hoje, sobrevive às custas do velho Chico do passado.
De 1990 até 2007, foram 9 trabalhos lançados. Com 3 discos de inéditas em 17 anos: "Paratodos", "As Cidades" e "Carioca". Totalmente inexpressivos. A turnê de seu último lançamento, "Carioca", de 2006, conta com uma mega produção e percorre o país todo, atraindo adorades e simpatizantes a servir de pano de fundo e coro gratuito para a mais "nova" produção de Chico, lançada em 2007: "Carioca, Ao Vivo". Típico: é a roda viva da releitura viciosa. À propósito, você saberia cantar alguma canção desse badalado disco, Carioca, imposto pela crítica como mais uma obra prima de Chico?





quarta-feira, 8 de agosto de 2007

ignorancia.com ( A Involução do E-Punk)


D.I.Y. (Do It Yourself): Faça Você Mesmo. A sigla traduz o principal lema das bandeiras daqueles que, por muitas vezes, as queimam por hobby: O Movimento Punk. Niilismo, subversão, agressão visual. Nunca o mantra anárquico fez tão pouco sentido como agora.
A Revolução Punk, que como manifestação cultural cultuou e enterrou bandas como Ramones e Sex Pistols, colhe agora mediante às telas de computadores os frutos de sua pobreza intelectual.
O D.I.Y. é levado à risca e despeja na internet, sem o menor pudor, uma infinidade de informações tão vagas quanto inóquas em troca de alguns scraps de fama. Orkut, YouTube, MySpace, Wikipedia, Blogs, a tão ovacionada revolução digital escancara o defeito mais latente de quando os profissionais são substituídos por curiosos aparecidos: informação burra.
O telespectador virou programador de TV no YouTube. O homem- panfleto virou publicitário no MySpace. Historiadores, biógrafos, geólogos deram lugar à uma penca de internautas que brincam de consultores culturais e confundem o mundo na Wikipedia, a "enciclopédia digital". O único ensinamento dessa coleção de pérolas e gafes elefantescas é que quando se trata de informação e cultura, o mínimo de profissionalismo e respeito ao leitor é necessário. E não confunda isso como uma pregação ao diploma universitário, mas somente uma necessidade em acreditar no que se lê, sem precisar verificar no Google 3 ou 4 vezes antes de dar credibilidade à informação.
Uma transa entre Nelson Rubens e Sonião Abraão seria uma catástrofe que faria a bomba de Hiroshima parecer uma tarde ensolarada em Honolulu. Porém, a improvável cria já fora batizada: Orkut Buyukkokten (na foto acima). A invenção desse programador da Google apresenta no Brasil uma influência diária nos modos e costumes de milhares de pessoas. Detalhes íntimos da vida alheia são descobertos em alguns cliques. Parece que o número de voyeurs era bem maior do que se imaginava.
Seu impacto cultural só será dimensionado daqui a algum tempo. E, de início, não está cheirando bem. Será que é realmente inofensivo uma exposição da vida de pessoas completamente não preparadas para isso? Transformar em reality show a navegação de internautas, em sua grande parte ainda crianças, não interfere em nada em seu desenvolvimento?
A impressão que dá é que na internet a vida não é real. É um universo paralelo onde o faz-de-conta vira opção. Você pode fazer o que quiser, até mesmo, se passar por outra pessoa. É um teatro da vida real que transforma a platéia em personagens e diretores. O problema é que, na maioria das vezes, você acaba fazendo papel de bobo. A "anarquia digital", que ignora toda forma de poder, transforma em ignorantes aqueles que se sentiam ignorados .

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

O Jogo Sujo de Lost

O maior mistério da série mais americana e mais popular da atualidade não é quem são os "outros". Não é o passado obscuro e interligado dos sobreviventes do desastre com o vôo 815 da Oceanic Airlines que despedaçou-se na ilha. E muito menos quem comanda a "Fundação Hanso" ou quem está por trás do "Projeto Dharma".
O grande segredo de Lost é conseguir tanta popularidade e, conseqüente retorno milionário, com uma combinação fracassada: história piegas contada por um amontoado de atores medíocres, um roteiro cíclico que dá voltas e voltas sem sair do lugar e incontáveis fatos fundamentais para o entendimento da trama simplesmente escondidos de seus telespectadores.
A série mudou a maneira de como uma pessoa assiste TV. A experiência de Lost começa exatamente quando a transmissão de um episódio termina. Fóruns, comunidades e discussões tão intermináveis quanto irrelevantes tentam desvendar os mistérios meticulosamente programado por seus criadores para gerarem exatamente isso: um faniquito de curiosidade capaz de enlouquecer muitos fãs.
Todo o processo de descoberta interpretativa de Lost se assemelha muito com o que é usual para jogos de vídeo-game. É uma "pseudo-interatividade" que dá "um grau" em quem está do outro lado da tela. Assim como em games, quanto mais você avança nas temporadas, mais você descobre sobre seus personagens. Mais informações adquire, a fim de solucionar a penca de segredos forçados e impostos pelos produtores.
O acidente que serve de ponto de partida da história é a queda de um avião comercial lotado de passageiros em uma ilha qualquer do oceano pacífico. Muito provavelmente, foi o desastre desse porte com mais sobreviventes da história da aviação civil: inicialmente eram 48 personagens da parte central e 23 da traseira do avião. Porém, essa conta aumenta de acordo com o Ibope da série.
Um artifício constantemente usado pelos roteiristas é o uso de "flashbacks" que contam o antepassado dos personagens, horas, dias e até anos antes do acidente. "Misteriosamente", boa parte dessas histórias se cruzam, abrindo espaço para polêmicas teorias, que quase sempre apontam para defeitos ou traumas da vida de cada um. Um artifício clichê, por um motivo clichê, em uma história clichê.
Esse manuseio com o intelecto dos telespectadores soa mais apelativo a cada episódio. A impressão que dá é que a única locação de Lost (uma ilha no meio do nada) é o lugar mais misterioso do planeta, e que será preciso mais de uma vida para os heróis desvendarem todos eles. É muito mistério para pouca história.
Brincar nesse jogo movido a trapaças e esconde-esconde com o público pode até ser divertido. A questão é ter a certeza de que é você quem está no controle. De que é a audiência que joga com Lost, e não Lost que joga com a audiência. Até agora, quem está ganhando são os produtores. E muito.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Dinheiro é Tempo

Estender é a palavra-chave atualmente para o cinema e as séries de TV. A fórmula mágica que até então estava escondida nos primeiros episódios de Guerra nas Estrelas parece ter sido descoberta nas masmorras de Senhor dos Anéis. Com objetivos bem traçados, Peter Jackson resolveu gravar simultaneamente os três episódios, dando à trilogia uma coesão dificilmente vista no cinema. Outros sucessos como Homem-Aranha, X-Men e Shrek conseguiram o mesmo feito, tanto na qualidade dos filmes como, e principalmente, na bilheteria. Mas problemas, em parte, também apareceram, tal qual Piratas do Caribe: O Baú da Morte, Matrix: Reloaded e Matrix: Relovutions, e até os novos episódios de Guerra nas Estrelas. Em parte, pois a arrecadação cresceu conforme a qualidade dos filmes caiu. Piratas, por exemplo, foi de 654 milhões para 1,06 milhões, e, pelo jeito, isso é o que interessa. Temos daí o fantasma do prolongamento, ganhamos um filme para perder mais dinheiro e tempo, a história aumenta para dar gás aos produtos, que vão de mochilas a medalhões. Contudo, a criação das legiões de fãs é o processo mais importante. Artifício cujo objetivo é fazer de um filme uma espécie de religião. Assim, é fácil encontrar debates “interessantíssimos” sobre o que está por trás de Matrix ou o absurdo que foi a adaptação do Senhor dos Anéis. Conversas que seriam muito mais produtivas se fossem talvez referentes ao Campeonato Brasileiro.

Agora, nada é mais poderoso nesse caso do que as séries televisivas. CSI – Crime Scene Investigation
resolveu casos suficientes para sete temporadas, 24 Horas já fez Jack Bauer trabalhar por quase uma semana, Lost ainda vai precisar de muitas para ser encontrada, entre outras que têm ou terão muito, para o bem ou para o mal, a contar. Bem como no cinema, esse cenário não era o mesmo há certo tempo atrás. Friends e Arquivo X foram as únicas séries que conseguiram pendurar por uma década, proeza que provavelmente Smallville atingirá sem grandes problemas com o garoto de aço. Antes, comprar as séries originais, ou acompanhar episódio por episódio, podiam ser encaradas raras atividades tão nerds como o cumprimento do senhor Spock. Hoje, baixar a temporada inteira no computador e ostentar as caixas na estante, apesar de não menos nerd, é bem mais comum. Obviamente que isso se deve ao aumento da qualidade na produção e direção dessas séries. Um mercado no qual o produtor Jerry Bruckheimer sabe vender muito bem o seu peixe, tanto na telinha como na telona, nas quais tem o nome creditado em mais de cinqüenta filmagens, incluindo pérolas como Pearl Harbor. Ele acerta e ganha exatamente aí, onde não importa se rodarão CSI ou Armagedom, Arquivo Morto ou Piratas do Caribe, desde que, bem doces, as pipocas sempre irão agradar a criançada.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Duas visões sobre o mesmo ponto

Fotos do lançamento mundial do último ato do bruxinho Harry escrito por J.K. Rowling. "Harry Potter e as Relíquias da Morte" superou a marca dos 11 milhões de exemplares vendidos nas primeiras 24 horas, apenas nos EUA e Inglaterra. Tal fenômeno editorial o coloca como o livro que mais vendeu em tão pouco tempo, em toda a história. Uma legião de "pottermaníacos" se espremeu uns aos outros para poder garantir o seu exemplar. ''A empolgação, a expectativa e a histeria que tomaram conta do país neste final de semana foi um pouco como a primeira visita dos Beatles aos EUA'', afirmou Lisa Holton, presidente da Scholastic, editora da série. Assim como o quarteto de Liverpool, Harry Potter não sai da parada de sucesso.
A escritora britânica J.K.Rowling, em momento mágico, aproveita um belo dia ensolarado para curtir a praia com um amigo. Após o fim da série "Harry Potter", a autora tem futuro incerto na literatura e vai ter que provar não ser escritora de um personagem só. Porém, uma fortuna estimada em 1,2 bilhões de dólares irá amenizar qualquer eventual bloqueio criativo. As cifras milionárias provenientes da historinha do bruxinho renderam à ela o título de mulher mais bem paga da Inglaterra e a primeira escritora bilionária do mundo. Toda essa grana só não conseguirá comprar algo que falta à J. K. Rowling: reconhecimento literário. No mesmo mês do estardalhaço midiático ao lançamento do último Harry Potter, a Flip (Feira Literária de Parati) trouxe, entre inúmeras atrações, o escritor sul-africano J. Coetzee, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2005. Com uma divulgação de porte pequeno, a Flip, assim como J. Coetzee, passaram por aqui sem atrair um décimo dos flashes de atenção que cada passo da britânica recebe. Sabe qual a diferença entre J. Coetzee e J.K. Rowling? 1,2 bilhões de dólares. E quem paga isso é você, seu tonto.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Harry Potter, o Mercador de Letras


Por que alguém lê um livro?

Não é compatível, à essa pergunta, uma resposta unânime. Os motivos são os mais variados: indicação de alguém; identificação com o tema ou autor; pesquisa por informações e tantos outros. O ponto em comum de todos os diferentes motivos que levam uma pessoa a ler um livro é a sensação de que, após o feito completo, você será uma pessoa melhor, ao menos em algum aspecto.

Por que alguém lê "Harry Potter"?

325 milhões de pessoas ao redor do mundo já o fizeram. E tiveram seus motivos. Dentre eles, faço uma ressalva às razões profissionais (críticos, jornalistas e outros) ou uma procura de contextualização cultural, a fim de saber o porquê de tanto alarde a um livro sobre um bruxinho. De resto, não sobra muito. O que leva milhares de crianças e adultos a se enfileirarem diante das livrarias à espera do último episódio da série vai totalmente de encontro ao prazer que uma boa literatura pode proporcionar. Vestir uma capa roxa em meio a um frenesi curioso em descobrir o final do livro, em ser o primeiro a saber se o bruxinho vai ou não morrer, em se tornar o único da turma a possuir o último episódio lançado, combina muito mais com eventos midiáticos de massa, arquitetados por estratégias avassaladoras de marketing, do que com literatura. Essas pessoas lêem "Harry Potter" para se sentirem bem diante das outras. Especialmente os mais novos (público alvo da edição), que lêem para não se sentir deslocados de seu grupo de amigos.
É obvio que é agradável ver adolescentes interessados em leitura ao invés de jogos de computador, e um grupo de garotos em volta de uma livraria é bem mais promissor que um ao redor de uma lan-house. O que incomoda é uma super-valorização totalmente incompatível a mais um produto da indústria do consumismo: A série "Harry Potter" não pode ter status maior do que um Tamagoshi.
.
A trama é simplória demais, não há como ver um filme sem rir: Um herói infalível, representante legítimo do Bem, enfrenta criaturas feias e malvadas. O bruxinho sempre ganha. Harry não sofre desvios de personalidade em meio a uma narração previsível. Torna-se uma espécie de anti-herói da cultura, moldado em um personagem raso, linear, plano. O típico ídolo juvenil que poderia salvar o planeta em qualquer sessão da tarde. O ambiente sombrio (destacado na versão cinematográfica do excelente Alejandro González Inãrritu) criado por Rowling, que nos remete levemente à estética literária de Edgar Allan Poe, talvez seja o ponto forte da série. Mas é apenas um sorriso em meio a um terremoto. Talvez isso não salte aos olhos de quem encontra-se momentaneamente cego pelo vício do consumo, no caso, manifestado em forma de livro. O importante é, no final da semana, olhar para o vizinho e dizer: "Eu já li", "Eu sei o que acontece no final". Hoje, ler Harry Potter está na moda, assim como usar ombreiras esteve nos anos 80. Só resta saber se um dia os fãs do bruxinho também irão se envergonhar disso.


domingo, 22 de julho de 2007

Essa mágica ele não fez

À meia-noite de hoje, serão completadas as primeiras 24 horas do lançamento do sétimo e último livro da série "Harry Potter". Com uma tiragem inicial recorde de 12 milhões, "Harry Potter e as Relíquias da Morte" provocará o seu já habitual furacão editorial em todas livrarias do mundo. Graças à uma criatividade quase infantil de sua criadora, a britânica J.K. Rowling, o bruxinho ultra-pop ficou famoso por seus poderes mágicos, capazes de tirá-lo das mais inusitadas situações. Porém, uma mágica que também fora atribuída a seus livros, ele não fez: impulsionar o hábito da leitura entre os jovens.
Uma pesquisa recém lançada pelo governo americano (publicada na Folha de S. Paulo de 22 de Julho), aponta uma igualdade entre os índices de jovens leitores antes e depois de "Harry Potter". E o pior: os dois números de adolescentes que afirmam ler por diversão apresentam relevante queda à medida que os leitores envelhecem. Com a mesma surpresa que se viu crianças no mundo todo deixarem de lado o computador para acompanhar a saga de Potter em seus volumosos livros (o último possui 784 páginas), oberva-se que as mesmas, ao acabarem cada episódio, voltam ao msn e sites de relacionamentos sem o menor interesses em outras obras.
Em uma análise superficial, o real valor cognitivo de "Harry Potter" sai da cartola: trata-se simplesmente de um fenômeno de vendas, e não pode, em hipótese alguma, ser confundido com um fenômeno literário. Muitos acreditavam que a partir da leitura da série, os jovens poderiam adotar outros livros, com histórias e personagens diferentes, devido ao recém adquirido gosto pela leitura. No entanto, prova-se que a leitura por si só, não é suficientemente valiosa para uma evolução cultural, antecessor ao hábito de leitura. É preciso, também, de conteúdo. A dúvida que fica: entre ler Harry Potter e não ler nada, o que seria mais vantajoso para os jovens, em termos de desenvolvimento intelectual? A resposta não cabe a mim, mas uma coisa é fato: o número de neurônios exigidos para ler as aventuras do bruxo e bater-papo em um chat é praticamente o mesmo. E está muito perto de zero.

sábado, 14 de julho de 2007

Movimento estudantil: 14h; Cinema: 17h

Estudantes, eu os amo, por isso vou falar de vocês. O que são os estudantes? Nós podemos dividi-los em dois grupos. Aquele da página 731 do Aurélio: S. 2. g. Pessoa que estuda; discípulo; aluno, escolar – e poderíamos acrescentar – que se preocupa, mesmo quando impossibilitado, em trabalhar, ou o faz efetivamente; e os que descobriram o Aurélio quando a seda acabou. E é deste que eu gosto. Ele é uma forma alternativa de gente, é uma nova espécie cuja característica mais marcante é a involução. Contraditório, não é? Sim, mas esta palavra não passa de um sinônimo nesse caso. Os estudantes que conferem o Aurélio por sua textura e não por seu conteúdo, vieram do Homo Parece Que Sapiens, depois decaíram para o Homo Será Que Sapiens? E hoje, na sua época mais lúgubre, tornarem-se o Homo Nada Sapiens. Uma parcela muita esperta da primeira espécie pode (ou podia) ser encontrada em Brasília – alguns ainda lutam pela ética e moral, o que, nos bons tempos, fazia parte do ideário ideal estudantil. A segunda divisão foi vista pela última vez na Rede Globo, marchando com a cara pintada – que movimento lindo! E assim, como o alinhamento de todos os planetas da galáxia, eles foram um fenômeno raro, curioso e estéril. Talvez a única característica transferida para a atual raça seja a tísica do movimento estudantil, que hoje consiste em juntar um bando de pessoas com bolsas nas costas e reivindicar. Mas o quê? Não importa, o que vale é o movimento e não a idéia. É com encanto que eu analiso acontecimentos passados para me cativar ainda mais com o cenário que me rodeia.

Vamos para o ano 1989, na Praça da Paz Celestial em Pequim, aproximadamente cem mil estudantes marcharam em prol da liberdade, da igualdade, de reformas democráticas e contra a corrupção. O resultado: o nome hipocritamente não alterado para Praça do Caos Infernal e um marco na história, com uma luta digna daqueles que tinham reais motivos para realizá-la. Ah! Realidade! Agora estamos em 2007, São Paulo, cerca de cem estudantes invadem a reitoria da USP, o movimento exige que a reitoria se posicione sobre as medidas tomadas pela gestão Serra no início do ano. Serra afirma que a secretaria foi criada para valorizar as universidades e que o Siafem será utilizado apenas para dar mais transparência aos gastos. Resultados: a destruição da reitoria e o saque de equipamentos. Meus queridos estudantes, não me interessa o que o Serra pensa, não me interessa o que os alunos da USP pensam, o que me interessa é o que vocês fizeram efetivamente. E aí chegamos na questão crucial, um estudante que efetua qualquer porcaria nos dias de hoje. Tudo isso nos faz pensar sobre a proposta do levantamento de um muro ao redor da UEL. Uma assembléia foi convocada para debater quais medidas tomar diante desse tema, chegou-se ao consenso de que não irá se colocar muro! Isso! Nem policiamento! Já estou entrando no espírito! Nem nada! Alguém me arranje uma faixa com qualquer coisa escrita na frente pra eu amarrar na testa! Porque a idéia, que nós defendemos, de um muro só faria com que a UEL se tornasse mais excludente, pois se preza sempre pelo bem estar da comunidade. Mas, vamos convir, se esta preocupação existe, uma muralha, na verdade, só afastaria a chaga dos estudantes da UEL sobre a comunidade. Estaríamos salvando essa gente. Temos que admitir, somente comprando drogas para serem degustadas na hora do intervalo não parece estar ajudando. Além do mais, nós ponderamos, os gastos seriam demais, e existem outros fatores a se considerar, como a própria manutenção das salas, por exemplo. Ora! Alguém grita, então não há uma medida alternativa a fim de garantir a segurança? A gente já negou o policiamento, né? É! Voltar atrás, jamais! Então tenhamos medo da polícia! Junte-se a nós, estudante tipo 1! Caso você tenha um telefone celular, e, da mesma forma, a preocupação em mantê-lo no seu bolso, na necessidade de alguma ligação importante, jogue-o fora, o seu carro estacionado lá fora que já está mais pra van de carona de um certo setor do Centro de Ciências Humanas, deixe-o em casa, ou melhor, venda-o! Esse dinheiro pode ser empregado em causas mais nobres ajudando a comunidade! Já consigo ver, vamos deitar na rua, que visão maravilhosa!

Calma, não há tantos motivos para isso ainda. O problema não está na quantidade, mas na barulheira. Ainda temos sorte de estudarmos na UEL e não na USP. Na nossa faculdade somos compostos na maioria de estudantes tipo 1, é só você entrar nas salas, você os irá encontrar, é só você andar pelos corredores, os que não cheiram a maconha, você os irá encontrar. Agora vá para as ruas, andando de um lado pro outro, loucos por aventuras, por baderna, por comunismo, lá vocês encontrarão meus amados estudantes tipo pedante, que em período de férias não se reúnem. Como um abutre caçador de carniça que, inevitavelmente, está imóvel, eles também o fazem, não há razões para sair de casa a fim de fazer alguma coisa se não iremos perder aula, as coisas não podem ser tão complicadas, porque complicação remete a uma certa reflexão dos acontecimentos e, se fossemos refletir sobre tudo isso, nós só iríamos... é... é... A CANTINA SUBIU O PREÇO DO SALGADO! Estou pronto pra mais uma!

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Comunismo Juvenil

Para quem ainda insiste em não saber, o Comunismo acabou. É verdade! Está enterrado a 7 palmos de terra. Karl Marx está com o seu corpo totalmente devorado por vermes. O muro de Berlim caiu. A antiga União Soviética faliu. A Guerra Fria descongelou. Fidel Castro conseguiu, pela primeira vez na história cubana, estar em estado pior do que o seu país (com o perdão do trocadilho com a palavra "estado", que os comunistas adoram). Porém, um rebanho de jovens que se auto-intitulam "politizados", alienaram-se totalmente à história do Comunismo e continuam marchando por não sei lá o quê. O conceito de Comunismo como uma política de poder ou de uma sociedade foi crivado pelo Manifesto Comunista de Marx. Mesmo que totalmente virtual, posto que nenhuma nação que se submeteu ao socialismo foi bem sucedida, consegue ter o seu valor como obra literária de vanguarda que continha em suas palavras um alto teor revolucionário, dando um leque de inspirações revolucionárias à juventude da época. É típico e muitas vezes proveitoso aos jovens um instinto de mudança, de negação à atual forma do poder vigente. Ou seja, era natural à juventude contemporânea ao surgimento do Comunismo que vestissem uma camisa do Che Guevara e brigassem contra conceitos basicamente capitalistas, como exploração do proletariado, elitização do poder ou exclusão social. Agora, em pleno século XXI, alguém que ainda lute e acredite em qualquer possibilidade de sucesso social ou econômico do Comunismo assina um atestado de ignorância política. O Comunismo simplesmente morreu. O que não pode morrer também é esse mesmo espírito revolucionário que choca-se com o poder, mantendo uma democracia vigente. No entanto, vejo que há muito mais sentido uma luta da juventude contra os nossos políticos, por exemplo, do que uma adoração burra a deuses de esquerda (apenas lembrando: Lula é canhoto).

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Introspectiva

Sabe um daqueles momentos em que você se pega parado, extasiado, olhando para o nada e apenas refletindo? Antes de dormir, durante as refeições, no trabalho e também no sofá? Pode ser refletindo sobre o porquê da existência humana, como o mundo irá acabar ou até coisas mais simples como a gota que caiu, o cão que latiu e porque eu fiz aquilo? Sim, pois uma das coisas que as pessoas mais fazem é refletir sobre si mesmas. Pensamentos, falas, atos e ações. Não que seja ruim, acho até proveitoso demais se feito do modo certo.
É, acho que existe um modo errado de se ser introspectivo. De acordo com o nosso gloriosíssimo dicionário da língua portuguesa, introspecção significa o exame que alguém faz dos próprios sentimentos ou pensamentos. Pois é, mas alguns fazem isso com tanto afinco que acabam se auto-destruindo. Penso que se auto-avaliar deve ser considerado um ato de contribuição para quem sabe uma melhora ou mudança de atitudes, mas às vezes tanta reflexão recai em atos obscuros. As pessoas pensam tanto no porque fizeram uma coisa ao invés de outra, na reação que tiveram, no que vai acontecer depois e depois e depois.... Martirizam-se por coisas já ocorridas e que não têem mais retorno, e desse modo machucam-se por saber que algo poderia ter sido de outra forma.
Mas o que fazer? As atitudes tomadas estão no passado e o presente nos pede para não olhar para trás, apenas adiante! É preciso olhar sempre pra frente, minutos ou horas de introspecção devem resultar em coisas boas. Não adianta se lamentar por algo que já aconteceu. A vida não para e não se pode pensar, pensar, pensar e sempre achar que se estava errado. Se estava, então que não esteja mais. E também acho que não faz bem pensar demais. Perde tempo quem raciocina cada passo. Se jogue! Arrisque mais. Depois sim, reflita e avalie os resultados! Bons ou ruins, alguma lição eles têm a oferecer.
Acho que o mundo anda muito pessimista (quem diria eu um dia dizendo isso, não? Eu, que prefiro ser pessimista a pensar que tudo é um mar de rosas só para não me decepcionar. Contraditório!). Pois bem, hoje, em um dos MEUS momentos de introspecção andei pensando no pra que pensamos tanto. E cheguei a essa conclusão: pensamos, para melhorar. Quem pensa, evolui! Pelo menos, é assim que acho que deve ser!
Introspectiva eu? Vou pensar melhor sobre isso! (risos)

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Do Culto ao Cult



A mais difícil das tarefas do ser humano é se adaptar às diferenças, essas, que nos trazem rivalidades medíocres e uma arrogância constante. Meu avô já dizia quando eu tinha 12 anos:
"Filha, as pessoas irão fazer de você o que elas quiserem, mas isso quem pode deixar é você", ele acertou quando se referia à maneira das pessoas quererem modificar uns aos outros, poxa vida será que a "benção" do ser humano ainda não aprendeu a lei básica do mundo?? Será que ainda irão querer escolher os estereótipos para tudo?? Você precisa ouvir Tom Jobim, Caetano Veloso ou qualquer outra coisa que alguém um dia julgou ser "cult"??? Você precisa comer comida francesa e beber vinho italiano porque alguém um dia disse que estes são bons pratos?? Você precisa usar Armani, Calvin ou qualquer outra marca porque um dia disseram que só assim você está atualizado?? Você precisa ler Vitor Hugo, Voltaire ou Kafka porque você leu em algum lugar que isso sim é "cultura literária"?? Você precisa fingir o que não quer ser pra mostar para os outros como você está "ligado" em tudo?? Se você faz isso retome a sua vida, quando você sabia ser feliz de uma forma verdadeira, sem hipocrisia de sociedade alguma e sem que alguém que você nem sabe quem foi disse pra você ser diferente do que você realmente é... faça isso...e aprenda a ser Você mesmo!!!! Vale a pena!!!!


desabafo....